Risk att internationella NGOs utnyttjar torkan

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Torkan i södra Angola och norra Namibia fortsätter att drabba hundratusentals personer. Namibias president förklarade i maj att landet befinner sig i ett katastroftillstånd. I Angola har regeringen tillsatt en särskild kommission ledd av presidenten. Samtidigt är detta inte första gången länderna drabbas av torka. Guilherme Santos, ordförande i Afrikagruppernas angolanska partnerorganisation ADRA, ifrågasätter varför samma situation uppstår år efter år. 

”I vårt land finns det en mobilisering som inkluderar staten, medborgare och civilsamhällesorganisationer. Inte desto mindre är biståndet fokuserat på att attackera torkans effekter snarare än dess orsaker.”, menar Santos i en opinion på ADRA facebooksida. Santos anser att insatser från internationella organisationer kan uppfattas som okoordinerade och att det därför finns en risk för samarbete byts ut mot konkurrens. ”Jag inser även risken i att resursmobilisering blir en industri för fundraising som enbart tjänar organisationerna själva snarare än de utsatta”, skriver Santos.

Utan att överge fokus på de akuta åtgärder som måste vidtas för att avhjälpa situationen efterlyser Santos fler investeringar i förebyggande åtgärder från regeringens sida. ”Pengar, kunskap, ledning, decentralisering av social tjänster, satsningar på jordbruk och lokal forskning behövs för att svara på de underliggande orsakerna och för att främja deltagande hos de som äger problemen dvs. de utsatta.”, avslutar Santos sin opinionsartikel.

Guilherme Santos har tidigare i år medverkat i försök att få omvärlden att uppmärksamma situationen. I augusti skrev han tillsammans med Afrikagruppernas partnerorganisation Legal Assistance Centre LAC i Namibia, under ett brev till Sidas generaldirektör med ett erbjudande att hjälpa till att koordinera en eventuell svensk involvering. Vi väntar fortfarande på respons.

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Läs Guilherme Santos opinionsartikel nedan:

OPINIÃO SOBRE A SECA EM ANGOLA
Por: Guilherme Santos
Presidente do Conselho Directivo da ADRA

A seca no Sul de Angola foi prevista cientificamente e há dados de instituições internacionais credíveis que comprovam esta realidade. Ademais, ela, a seca, afeta também o norte da República da Namíbia, que já declarou estado de emergência, e há uma grande mobilização social, pública e política sobre o assunto, tendo em vista a mitigação dos efeitos da seca, mas também para prevenir situações futuras.

No nosso País há também muita mobilização da Estado e da sociedade, através, sobretudo, cidadãos e de Organizações da Sociedade Civil e das igrejas. Porém, este auxílio, está mais centrada em atacar os efeitos da seca do que as causa e ou a prevenção. Ainda assim, a resposta de emergência é muito importante nas condições actuais de sofrimento humana.

O pior vem aí! Em minha opinião, a medida que tempo seco – cacimbo – decorre, as consequências da seca serão mais óbvias, explícitas e patentes. Neste sentido, a situação real dos grupos mais vulneráveis, seja os grupos cronicamente pobres, por exemplo, pessoas com deficiência severa, idosos, doentes terminais; seja a situação dos grupos economicamente em risco, por exemplo, camponeses que não produzem o suficiente para se alimentarem; seja ainda os grupos socialmente vulneráveis, por exemplo, pessoas com deficiência não severa, os grupos étnicos minoritários como os vátuas e aqueles que não fazem parte das linhagens dominantes, a situação deles vai piorar. Ademais, não há diagnósticos que caracterizam realmente a situação e nem há consenso sobre o número de pessoas afectadas.

Observo que existe uma grande movimentação de empresas de consultoria para fazer estudos e pesquisas sobre o assunto. Observo também que, ONG nacionais e internacionais se mobilizam para dar respostas através de acções concretas, projectos e a mobilizarem recursos financeiros dos doadores tradicionais. Do outro lado, sinto ainda que há pouca coordenação e articulação entre estas entidades para se evitar sobreposições de acções. Neste sentido, a cooperação pode ser substituída pela competição pelos recursos e protagonismo, as questões assessórias poderão se sobrepor ao essencial. Também, percebo que há um risco desta mobilização de recursos se transformar numa “indústria” de angariação de fundos, mais para manter os aparelhos institucionais, do que beneficiar realmente as pessoas afectadas. Claro, se não haver por parte do Governo, a capacidade suficiente de liderança política, institucional e técnica para conduzir este processo.

O Executivo deveria investir mais na prevenção, na formação, na planificação com base na realidade de secas cíclicas, na alocação de mais recursos – dinheiro, conhecimento e capacidade de gestão e controlo -, na municipalização dos serviços de assistência social, da agricultura, na pesquisa local com vista a responder problemas concretos, na promoção da participação dos donos do problema, ou seja, das pessoas afectadas.

Lubango, 21 de Agosto de 2013

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